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Algodão | 21/07/2010

Algodão tem o melhor preço em 7 anos em Mato Grosso

  

Ao contrário do que ocorre no mercado norte-americano, que registrou a pior cotação dos últimos quatro meses para o algodão, em Mato Grosso os preços da pluma alcançaram níveis recordes ontem(20), ao atingir o patamar de R$ 51 (média estadual), segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). É a melhor cotação desde 2003, na série histórica dos últimos sete anos, quando o preço da arroba atingiu R$ 51,50.

De acordo com o Imea, no Brasil os preços continuam atrativos, reforçando o ânimo dos cotonicultores em plena colheita. De acordo com Denancil Martins Filho, da cadeia de Fibras do Imea, a alta do algodão poderá compensar uma provável redução da produtividade, por causa da estiagem. “No ano passado não sofremos interferência climática nem com estiagem, nem com frio, mas os preços estavam na casa de R$ 35 a arroba”.

Na avaliação dele, este ano o preço da pluma “está excelente” e a demanda está aquecida por parte das indústrias têxteis. “A perspectiva é de que a partir do mês que vem, com a entrada do algodão da nova safra, os preços possam entrar em queda, movimento normal da lei da oferta e da procura”.

Ele informou que 35% da safra mato-grossense de algodão normalmente é comercializado no mercado interno e 65%, para fora do país. “Como estamos no período de boca da safra, as negociações relacionadas ao mercado externo ainda são tímidas. No momento a demanda interna é melhor, contribuindo para a valorização dos preços”.

RECUPERAÇÃO - Haroldo Cunha, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), confirma o bom momento vivido pelos cotonicultores brasileiros. “Hoje estamos com um dos melhores preços da série histórica da década, com o mercado pagando até R$ 1,65 por libra peso, ante os R$ 1,20/libra peso negociados nesta mesma época, no ano passado”, alta de quase 38%.

Ele acredita que com a boa cotação do algodão “uma parte do setor vai recuperar a renda este ano”. Lembra, entretanto, que aqueles que venderam muito cedo não terão o mesmo resultado, já que os custos de produção praticamente foram mantidos nesta safra.

Segundo ele, o algodão manifesta tendência de alta nas cotações e o aumento nos preços mostra uma recuperação internacional, principalmente pela demanda da China. Como afirma Haroldo Cunha, “esse é um jogo que vamos sempre estar vivendo: um ano de preços mais altos, um ano de preços mais baixos, justamente porque há essa tendência de entrada quando os preços estão mais firmes. Agora estamos colhendo a nova safra e não temos noção de onde poderão parar os preços”, diz ele.

O cenário estima uma safra em área idêntica ao ciclo ao anterior. “Provavelmente, a gente não terá nenhuma redução em área, mas temos expectativa, se o clima correr bem até o final da colheita, de colher uma produção maior do que a da safra passada”, diz o presidente da Abrapa.

O aumento dos preços, segundo Haroldo, ocorreu em função de que a indústria brasileira teve uma oferta mais escassa em decorrência de uma safra pequena, pouca oferta e o algodão sendo exportado. Esses fatores demandaram maiores gastos para importar e assim se abriu espaço para a reação dos preços no mercado interno.

“Nós temos muito pouco algodão na mão do produtor. No mercado internacional houve reação e recuperação da economia e aumentou o consumo e demanda, principalmente por parte da China e outros países asiáticos. Isso tudo faz com que os preços e o consumo deem uma acelerada”, avalia.


Diário de Cuiabá-Marcondes Maciel

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