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Fruticultura | 03/12/2009
BNDES liberará R$ 130 mi para capital de giro à Citrosuco
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai liberar R$ 130 milhões para capital de giro ao Grupo Fischer, controlador da Citrosuco, segunda maior produtora e exportadora mundial de suco de laranja. O recurso virá do Programa Especial de Crédito (PEC), criado em julho deste ano pelo governo para socorrer empresas e que deve terminar em dezembro.
Com os novos recursos, a companhia soma R$ 333,49 milhões obtidos junto ao BNDES em pouco mais de dois meses. Em outubro, o Grupo Fischer anunciou a liberação de R$ 203,49 milhões do banco para investimentos na renovação de pomares e instalação de projetos de irrigação lavouras da Citrosuco. Todos os valores foram obtidos pela Agência Estado em atas publicadas pela empresa no "Diário Oficial" do Estado de São Paulo. Procurada, a Citrosuco não se pronunciou até o momento.
Os empréstimos beneficiarão a única grande companhia do setor que paralisou atividades na atual safra de laranja no País. A fábrica de Bebedouro (SP) da Citrosuco teve suas atividades de processamento suspensas em fevereiro e demitiu 208 funcionários.
Segundo a assessoria do BNDES, a linha de capital de giro é liberada a qualquer empresa que siga as regras do programa, desde que ela apresente garantias e esteja adimplente com tributos, entre outros fatores. Pelas regras do PEC, o Grupo Fischer terá até 36 meses, com 12 de carência, para a amortização dos R$ 130 milhões liberados pelo BNDES.
Já os R$ 203,49 milhões liberados anteriormente pelo BNDES serão investidos na ampliação da produção de laranja própria em 16,7 milhões caixas (de 40,8 kg) por ano, em pomares de São Paulo e Minas Gerais. O projeto de irrigação atingirá uma área de 6.932 hectares e os recursos serão ainda empregados na aquisição de máquinas e equipamentos por meio da Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame).
Além da unidade de Bebedouro, a Citrosuco processa laranja e produz suco no Estado de São Paulo nas cidades de Matão, sua sede, e Limeira. A companhia do Grupo Fischer tem ainda uma planta industrial de suco de laranja em Lake Wales, na Flórida (EUA) e outra em Videira (SC), onde também produz suco de maçã. Possui também o maior terminal do mundo de escoamento de suco, em Santos (SP), o principal terminal europeu, em Ghent (Bélgica), além de terminais em Wilmington (EUA) e Toyohashi, no Japão. Produz também óleos e essências, álcool a partir do bagaço e polpa cítrica.
O presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, disse à Agência Estado que a liberação dos recursos à Citrosuco "mostra um tratamento privilegiado do governo dado à indústria de suco em detrimento do citricultor". Viegas voltou a sugerir que o governo regulasse o setor produtivo de suco laranja, restrito a quatro grandes companhias, e que condicionasse empréstimos como os feitos à Citrosuco "à aquisição de frutas de produtores por um preço justo", concluiu.
Agência Estado

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