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Agronegócio | 22/09/2008

Produtor ainda não sentiu efeitos da crise

  

Para analistas setor vai sofrer impactos da turbulência norte-americana dentro de dois ou três meses. O momento sólido da economia brasileira minimizou os efeitos da crise norte-americana dos últimos dias no agronegócio. A quebra de uma grande instituição financeira e o socorro governamental a outras duas empresas, que afetaram economias no mundo, não causaram impacto no mercado dos produtos agrícolas e os preços permaneceram estáveis.
A soja e milho não tiveram alteração no mercado interno após a turbulência no mercado americano. A soja esta semana ficou no patamar dos R$ 46,00 a saca. O milho oscilou entre R$ 20,00 e R$ 21,00, também estável.
Para os analistas, a crise preocupa vários setores e repercute em economias em todo o mundo, seja nos países centrais ou nos emergentes. Segundo Flávio Turra, gerente técnico econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), produtores vão se ressentir da redução no ritmo de crescimento no mundo."Haverá diminuição pela demanda de alimentos e isso vai impactar as economias dos países produtores", avalia.
A curto prazo, o Brasil não deve sentir efeitos negativos, em função da boa situação econômica e de reservas cambiais. Mas segundo Turra, os impactos vão atingir o setor em dois ou três meses, sobretudo no mercado externo. "Nessa época haverá a percepção da retração da economia dos países compradores dos produtos brasileiros", diz o técnico.
Dessa forma, os preços serão menores, o que acabará neutralizando os ganhos que os exportadores terão com a movimentação do câmbio dos últimos dias. Nesta semana, o dólar teve altas significativas, chegando a alcançar R$ 1,90, maior valor desde setembro de 2007. A médio prazo poderá haver também evasão de recursos, com reflexos no câmbio.
A crise norte-americana pode afetar também os rumos da próxima safra. Flávio Turra avalia que poderá haver diminuição nos investimentos, o que interferiria diretamente na produtividade. Isto porque, segundo ele, parte dos recursos é captada no exterior e terá custo maior, o que fatalmente irá aumentar a dívida dos produtores.
O especialista afirma que o setor se ressente menos de oscilações da economia global por uma mudança de comportamento dos produtores brasileiros, Ele destaca o papel das cooperativas que têm desenvolvido um trabalho para assessorar os associados no planejamento estratégico da atividade.
Opinião semelhante tem a técnica da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Gilda Bozzi. Para ela, os produtores atualmente são mais empreendedores, organizam planilha de custos, cronograma de comercialização e viabilizam o uso das tecnologias. "Hoje a Faep treina os produtores a proteger seus produtos, principalmente na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuro)", exemplifica.


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