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Soja | 22/09/2008
Oferta de crédito ameaça reduzir grão no Estado
O Rio Grande do Sul, na condição de terceiro maior produtor de soja do Brasil, também será afetado pelas previsões de falta de crédito para a safra 2008/2009. Uma pesquisa realizada pela Agroconsult Consultoria na semana passada sinalizou com a possibilidade de falta de recursos para o plantio da oleaginosa, já que alguns bancos apresentam-se receosos com a possibilidade de inadimplência.
Conforme os dados da consultoria, o custo para plantar um hectare de soja na próxima safra será entre 30% e 50% superior ao do ano passado. No total, o volume de recursos necessário para financiar o custeio vai subir de R$ 19,9 bilhões para R$ 29,9 bilhões, um aumento de 50,2%. "Os custos de produção subiram 100% da safra passada para cá. Seria preciso aumento de recursos nessa faixa. Frente a esse cenário, o que temos é redução de oferta de crédito", avalia o presidente da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues.
Segundo ele, a ausência de recursos já está atingindo a cultura do milho, o que deve se repetir nas lavouras de soja - que receberão menos tecnologia, especialmente na área de fertilizantes. "É um grave problema, pois qualquer adversidade climática pode prejudicar a lavoura, reduzindo a produtividade. Além disso, o controle de pragas e inços também pode ser prejudicado, o que comprometeria também a implantação da safra subseqüente", explica Rodrigues. A pesquisa da Agroconsult informou que, sozinho, o fertilizante responde por até 73% do aumento das despesas de custeio da próxima safra.
O gerente de Pesquisas Agrícolas do IBGE, Mauro Andreazzi, afirma que muitas pesquisas têm indicado queixas de alguns agricultores sobre a dificuldade de recursos para essa próxima safra. O especialista comentou que não é possível realizar estimativas futuras sobre produção da soja. Ele ressaltou que o IBGE não faz projeções e lembrou que a próxima safra de grãos mal começou a ser plantada. Mas admitiu que, em um cenário com poucos recursos, o agricultor vai ter de fazer escolhas, como usar menos maquinário, reduzir compras com fertilizantes e adquirir sementes mais baratas. A Conab deve anunciar sua primeira estimativa de produção para o período 2008/2009 no dia 8 de outubro.
Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que, até setembro, no âmbito do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), a alta acumulada nos preços dos fertilizantes é de 84,52% no ano e de 92,84% em 12 meses. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, o aumento nos preços dos fertilizantes foi um dos grandes propulsores da inflação de bens intermediários no atacado este ano. "No primeiro semestre, a média de aumento nos preços dos fertilizantes era de 10% ao mês", disse.
Apesar desse cenário, o secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho, assumiu uma posição mais otimista. Ele observou que o produto, nos 12 meses encerrados em agosto, contou com um aumento expressivo de preço, que pode ajudar o agricultor a ter maior volume de capital próprio, e assim deter capital de giro sem necessidade de bancos e tradings. Ele observa que mesmo a atual crise financeira, que trouxe reflexo direto no preço das commodities, afetará a tendência de alta da soja. "É provável que em 2009 prevaleça um cenário de preços elevados no complexo soja, semelhante aos níveis atuais, tendo presente que os estoques mundiais de soja, farelo e óleo continuarão ajustados", comentou.
A soja foi um dos destaques de resultado no âmbito do Valor Adicionado, na última divulgação do Produto Interno Bruto (PIB). O PIB a preços de mercado subiu 6,1% no segundo trimestre deste ano, ante igual período no ano passado, sendo que o Valor Adicionado a preços básicos cresceu 5,7% no mesmo período. O setor da agropecuária foi um dos que contribuíram para a geração do Valor, em especial devido às boas projeções para produção de grãos esse ano, principalmente da soja.
Bancos garantem que dinheiro será suficiente
Apesar das expectativas nada animadoras em relação às lavouras de soja em todo o País, as instituições financeiras se defendem e afirmam que haverá recursos para custeio da safra que se inicia. O diretor de crédito do Banrisul, Urbano Schimitt, afirma que todos os produtores adimplentes terão acesso aos valores, que neste ano terão um acréscimo de 53% em comparação ao que foi liberado em 2007. "Serão R$ 63,5 milhões para a soja, contra os R$ 41,4 milhões liberados na safra passada", diz o diretor.
Segundo ele, o argumento de que os recursos são insuficientes não procede uma vez que os insumos podem ter subido 100%, mas outros itens que compõem os custos de produção não acompanharam essa elevação e podem gerar um equilíbrio nos custos de produção.
No total, a instituição tem R$ 287 milhões em recursos próprios para a safra agrícola de verão 2008/2009, incremento de 64,6% em relação ao disponibilizado no ano passado. O presidente da central Sicredi RS/SC, Orlando Borges Muller, também garante que os produtores serão atendidos e que o banco irá acompanhar a alta demanda. "No ano passado, oferecemos R$ 1,3 bilhão em nível nacional e R$ 732 milhões no Estado. A previsão para esse ano é chegar a R$ 2,1 bilhões no Brasil e R$ 1,1 bilhão no Rio Grande do Sul", informa.
Jornal do Comércio RS

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