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Agronegócio | 22/09/2008

Turbulência não deve atingir cooperativas

  

Em curto prazo, a crise financeira que abala o mercado norte-americano terá pouca influência sobre o agronegócio brasileiro, com a elevação na cotação do dólar compensando eventuais quedas nos preços das principais commodities produzidas no Brasil. Já a médio prazo, é preciso acompanhar possíveis reduções no consumo, principalmente dos países asiáticos. De qualquer maneira, os estoques mundiais de alimentos estão baixos, o que é fator relevante para que as cotações permaneçam ainda em patamares altos e compensem a saída dos grandes fundos de investimento do setor.
Os custos dos produtores são em reais e o faturamento, em dólar. Em síntese, este é o pensamento que corre entre as cooperativas e empresas do agronegócio paranaense a respeito das dificuldades da economia norte-americana. "Em curto prazo poderão até existir alguns ganhos por causa da elevação do dólar, mas serão pouco as aproveitar a ocasião porque falta vender algo em torno de 25% da safra local", explica Flávio Turra, gerente técnico e Econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), entidade que reúne 80 cooperativas responsáveis por 55% da produção agrícola do estado. "No entanto, para um setor que exporta US$ 60 bilhões é fácil de ver que a valorização do dólar vai trazer algum ganho", acrescenta.De fato, a simples elevação nas cotações do dólar pode até trazer um novo alento para as intenções de plantio da próxima safra de verão no país porque, segundo os cálculos do setor, a valorização da moeda dos EUA elevará a renda no campo. Por exemplo: no Mato Grosso, com o dólar a R$ 1,60, a rentabilidade dos produtores de soja é de 6% na safra 2008/9, devido aos problemas de logística da região. Com o dólar a R$ 1,80, a rentabilidade sobe para 25%. No Paraná, o dólar a R$ 1,60 gera rentabilidade de 40%. A R$ 1,80, o ganho vai a expressivos 59%.
O presidente da Coamo, de Campo Mourão, José Aroldo Galassini, a maior cooperativa do país, com um faturamento previsto em 2008 de R$ 4,3 bilhões, confirma essa expectativa. "Nós estamos fechando negócios futuros com preços na faixa de R$ 42 a saca de 60 quilos de soja. Levando em conta a produtividade normal de 130 sacas por alqueire, o custo direto de produção desta soja está em R$ 21, o que é um bom ganho. No começo do ano fechamos negócios a R$ 49 a saca mas acho que estes preços não vão voltar. A soja deve estabilizar entre US$ 11 e US 12 o bushel (27,2 quilos) e, afinal de contas, R$ 42 é um ótimo preço", diz ele.
A Coamo recebeu, na atual safra, 2,5 milhões de toneladas de soja e ele calcula que, deste total, ainda falta comercializar algo entre 28% a 30%. "Nós também vamos ter um bom excedente de milho safrinha para comercialização no exterior mas, neste caso, ao contrário do ano passado que não houve uma seca na Europa, há poucos compradores no mercado", diz Galassini. "Essa crise deverá passar longe do setor cooperativista, que está mais bem preparado em técnicas de gestão que há dez anos".


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